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Estações

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As estações trazem novos momentos, encantos, cores, sentimentos. Não se sabe a hora de deixar partir o que é de lei que vá, mas as novas estações sempre são uma boa hora, um bom lugar. Talvez seja o momento de deixar ir aqueles velhos medos de infância e dar um "oi" à esperança do amanhã. Há lugares estranhos para se assentar, e o número de hoje é um deles. Dezenove não é dezoito, dezenove não é vinte. Dezenove é uma transição. Como antes olhara no relógio e via os tic tac's ricochetearem, agora os vê se alocando, cada instante um suspiro, um desencanto. Mas surge a esperança, talvez muitas delas, pois parece que a capacidade de sonhar o novo se ampliou. É como reabrir os olhos depois de uma torrencial tempestade e ver que o sol ainda bilha no horizonte. Aprecia-se tudo e sente-se com todo o corpo, que é preciso renovar assim como o fazem as estações. Hoje no inverno, as coisas fazem a diferença que outrora não faziam. Cada respiração parece forte demais, cada abraço pequen…

Vinte e dois: A Bola de Neve

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A vida aos meus olhos de 22 anos é uma bola de neve. Não costumo escrever coisas em primeira pessoa, como uma adolescente em diários extensivos e dramáticos. Não, essa não sou mais eu, essa fase já passou. Mas hoje bateu a vontade, a necessidade de pensar sobre a reflexão das minhas últimas semanas. Pense comigo caso ache interessante e não haja nada mais proveitoso por hora para se fazer. Ao menos para passar o tempo essas francas palavras podem servir. Para aqueles que ainda não chegaram nem aos vinte anos, dou-lhes um sorriso esperançoso, pois nessa parte da história vocês ainda acham que nada do que vivem irá passar, que as dores são eternas e que nada que façam irá mudar os traços temperamentais mais incômodos. Sei que não é possível generalizar, alguns de vocês já sabem e em certa medida esperam ansiosamente que tudo mude. Isso é legal muito legal. Mas a grande maioria ainda sofre, com essa ânsia por ser velho num mundo onde quanto mais velho se torna, mais angustiado se fica. A …

Cordas Mágicas

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No percurso que sigo, encontro mil pedaços de mim, e em todos os pedaços fico a imaginar a imensidão dos medos que os fizeram cair. Deixo-me esbarrar nas armaduras que eu mesma fiz, que também deixei pelo caminho, solitárias, calejadas, marcadas... A vida é uma estrada tão assombrosa as vezes, como se o tempo inteiro tivéssemos de lutar com bombas em um campo minado, ou tal qual garotos curiosos num campo com rosas, que apesar do maravilho cheiro, deixam-lhes as marcas dos espinhos à medida que as tocam. E assim é que acontece. Tudo acontece, como em cordas mágicas. Se a cada corda que se ergue eu pudesse sentir o som tudo seria mais fácil, mas não, não vejo sua estrutura, som ou sinto o abrasar. Apenas sei que as cordas existem e me guio por uma esquina tortuosa de saudade, incerteza e solidão. Não sou eu maior que as minhas forças, nem são elas que definem minhas conquistas, é o tempo, o tempo e a existência dessas cordas mágicas. Quando tudo parece silencioso demais, aí é que meu co…

O lado bom da solidão

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Estar solitário demanda coragem. Ser bondoso demanda uma dose e meia de solidão. A solidão gera bondade em casos específicos e a coragem é uma única medida capaz de contemplar todas as investidas alimentadas tempo após tempo. Não será mera coincidência se encontrar-se no meio dessas palavras, pois à medida em que as vou escrevendo encontro a mim mesma de igual modo.


Quem dera soubesse explicar a relação estreita que se estabelece entre a solidão de alguns poucos seres e sua bondade sobressaltante. Uma das mais nobres horas é aquela na qual se percebe em pessoas bondosas o lampejo de solidão mais cálido que se pode inferir, ali, saindo-lhes do fundo do olhar. Na ânsia de não estar sozinho, os seres vão caminhando, alimentam pequenos sabores que encontram nas esquinas, deixam as roupas serem ensopadas pela chuva, e caminham, apenas caminham... Como se o alvorecer ainda fosse perdurar... Como se a órbita de tudo fosse o estar em silêncio, o vagar descompasso de estar desacompanhado. Na âns…

Empatia

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Se há algo importante a ser dito sobre um assunto, direi agora, e o assunto é a empatia. Não aquela coisinha rotulada já de algumas décadas, que entendemos por “se colocar no lugar do outro”, mas algo além. A sentença não é inútil, muito pelo contrário, é a definição mais simples e se alguém me perguntar o que é empatia prontamente a utilizarei. Faltam exatamente alguns segundos para que você entenda o que quero dizer com toda essa introdução... Quando pequena, costumava eu brincar sozinha por horas, sem reclamar, sem espernear ou fazer birra pela solidão. Fui crescendo, crescendo, e a solidão continuou comigo, como uma parceira imóvel e fácil de abraçar nas noites frias. O resultado disto foi um tremendo mau costume. Acostumei-me a andar sozinha, sorrir sozinha, falar sozinha, pensar sozinha, enfim... a vida já era uma ausência constante, e eu até que gostava. Já na adolescência isso passou a incomodar, não sabia eu a magnitude da necessidade de fazer amigos, e nem ao menos havia sent…

Confiança

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Há uma coisa, umazinha só, que incomoda a mim de infinita força, com intensa tristeza. É a ausência de confiança. Ela nasce da incerteza, se alimenta do medo, dorme nos braços do desencanto e não deixa os sonhos serem belos nem leves. Hoje ela é comum, pois as pessoas vivem a tomar desconfiança como café matinal e saborear suas sobras também no jantar.  O tempo cronológico é quem nos diz em que medida estamos acertando ou não a estrada. Esse tempo vai passando, vai voando, e as manchas do chão vão aparecendo nas sandálias, as roupas se desgastam, se acomodam no corpo da gente como se não fossem mais ser retiradas, mas ficar ali amalgamadas independente do amanhã. Não suportamos a intensidade dos sentimentos, as coisas começam a pisotear-nos e não resta dúvida: não sabemos confiar. Costumo creditar à confiança a beleza de viver ou existir. Imagine deixar-se cair nos braços de alguém que não sabe se estará com eles de fato estendidos. Imagine mostrar-se puro, por inteiro, sem reservas e a…

Isso não é uma Receita

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Além das coisas que já me anuviam o pensamento, surgem partículas de convicção ao longo da vida. Com frequência aparecem situações que levam ao desespero, à necessidade de amparo, até de conselhos. Se for para contar quantas vezes deparei-me com verdades que me estapeavam a cara haveria de escrever textos e mais textos e não daria, mesmo assim, conta da missão. É que somos chamados a cumprir diversos papéis, nem sempre sabendo exercê-los, nem sempre ao menos sabendo do que se trata a necessidade de acertar. A vida segue e no meio das incertezas emergem momentos em que uma luz acende na alma, dizendo sabiamente "eis a realidade". As pessoas geralmente não compreendem jeitos distintos de ser, o que faz a convivência ser dificultada vezes a mais que o desejado. Somos estrangeiros aos olhos alheios e provavelmente continuaremos sendo até o último dia de vida. Aparentamos o que nem de todo somos, somos o que bem pouco sabemos demonstrar, ou queremos.... Não é uma receita, mas cabe…